A Irmã Clara Winger, da Comunidade Saint Joseph de Nogent faz parte da Equipa dos Capelães do Hospital Henri Mondor, em Créteil. Ela partilha connosco a sua experiência.

Os apelos que recebemos na capelania são variados, assim como os encontros que se seguem com os doentes e os seus próximos. Quando somos chamados junto de um doente, antes mesmo de ir ter com ele, começamos por rezar, para confiarmos a Deus o encontro e para nos recordarmos que somos enviados em nome do Senhor, pela Igreja, ao nosso irmão ou à nossa irmã que sofre. As nossas visitas podem ser de curta ou de longa duração, segundo os casos. Algumas dessas visitas são marcadas pelo silêncio e outras, por diálogos longos e profundos. Há doentes e famílias que exprimem claramente os seus pedidos e o que desejam, mas para outras, é preciso procurar compreender os sinais subtis que eles mostram. Adaptamo-nos a cada um, aos seus desejos e tornamo-nos presentes neste momento de encontro com o doente e o Senhor. 

A nossa missão de Capelão vai para além das visitas aos doentes que estão no hospital. Somos um pouco como pontes entre a Igreja e os doentes e as suas famílias, entre o Senhor e aqueles que O esperam, entre o Hospital público que trata os corpos e a Diocese que tem o cuidado das almas, entre a Igreja Católica e as outras religiões representadas no Hospital Henri Mondor. Somos dois os Capelães católicos, um leigo e eu própria, e fazemos parte de uma Equipa de Capelães de diferentes cultos : Católicos, Protestantes, Ortodoxos, Muçulmanos, Judeus e Budistas. Pela nossa missão de acompanhamento dos doentes e das suas famíias, nós temos assunto para conversar entre nós, sobre as nossas diferentes maneiras de responder a esta missão, segundo as nossas respetivas religiões. Partilhamos um mesmo escritório e o mesmo oratório. É assim um oratório multicultual, neutro no seu conjunto, mas que pode ser adaptado segundo as necessidades dos diferentes cultos durante o tempo de uma celebração.

Eu gostaria de partilhar um pouco mais sobre esta coabitação no oratório. É bastante recente, é desde junho de 2025, que o oratório se tornou um lugar de oração partilhado por todos os cultos, de maneira igual. 

Em diálogo com a Direção do hospital e os nossos colegas das outras religiões, nós procuramos como dar vida a este lugar de recolhimento sem prejudicar o funcionamento do hospital. O primeiro passo foi pedir autorização para abrir o oratório por um tempo definido, pontualmente, para permitir a um doente que pede para aí ir rezar, mas somente com a nossa presença. Isso foi-nos concedido. Em seguida, conseguimos autorização de abertura para outras celebrações sem ser a missa, e de maneira regular. Para chegar a uma abertura cotidiana, arranjamo-nos com os colegas dos outros cultos para que todos os dias haja ao menos um tempo de oração no oratório. Eu vivi uma belíssima experiência de comunhão entre as diferentes religiões. E também estou impressionada por ver como os nossos colegas contam connosco, Capelães católicos, para estes tempos de oração que permitem a abertura cotidiana do Oratório. De notar que nós, católicos, temos o maior número de horas de presença no Hospital Henri Mondor.

Finalmente a Direção tomou a decisão de permitir a abertura regular do Oratório, todos os dias, das 14h às 16h, com acesso livre para todos aqueles que querem rezar. Doravante podemos encontrar por momentos pequenos grupos que rezam ao mesmo tempo, no mesmo Oratório, cada um segundo a sua religião. É possível assim ouvir uma dezena do terço murmurada perto do sacrário, depois num canto, em voz baixa um grupo de muçulmanos rezam juntos, e ver alguém rezar silenciosamente sentado num banco, muito simplesmente, como me disse um dia um senhor muçulmano, que me tinha vindo agradecer porque tinha podido  encontrar um lugar para fazer a sua oração : « Não é verdade, minha senhora, que o divino é para toda a gente !»

No entanto, a neutralidade do oratório permanece difícil para muitos Pacientes e Voluntários católicos do Hospital que conheceram a Capela que se tornou Oratório multicultural nos nossos dias. Com o meu colega, nós nos organizamos de maneira a ter uma celebração católica todos os dias, o que nos permite reinstalar pelo menos durante meia hora a Cruz, a Virgem e a imagem de Cristo. Temos tempos de adoração, de reza do terço e da via sacra ; duas vezes por semana a missa ou uma celebração da Palavra. Aqueles que vêm rezar connosco dizem-nos a sua alegria ao voltar a ver a Virgem e Cristo que nos acolhe. Alguns são felizes por saberem simplesmente que há pessoas no Hospital que rezam pelos doentes. 

Ainda não estamos no fim do caminho, sonhamos poder abrir o Oratório mais de duas horas por dia. 

Tudo o que fazemos no Hospital, visitar os doentes, dar-lhes a possibilidade de receber os sacramentos, escutar as famílias e as pessoas próximas do doente, aqueles que nos pedem para abençoar o familiar falecido antes de partir para a sua última morada, rezar por todos os doentes e por aqueles que os tratam, nós procuramos vivê-lo segundo esta oração que é a da nossa Capelania muito antes da nossa chegada : « Senhor Jesus, durante a tua vida terrestre, tu foste o rosto da ternura de Deus entre os homens. Agora que te tornaste invisível, compete a nós, teus discípulos, mostrar o teu rosto de luz. À hora em que me envias junto dos doentes, faço esta oração : habita-me, Senhor Jesus, apaga-me em Ti, torna-me transparente à tua presença e ensina-me a ser o sorriso da tua bondade ; porque, através de mim, és Tu que no fundo deles próprios eles podem encontrar. Inspira-me constantemente a atitude a tomar, as palavras a pronunciar e os silêncios a observar. Ensina-me a escutá-los sem os interromper. Ajuda-me a ousar segurar-lhes a mão. Então, eu serei para eles um caminho que conduz a Ti. Amém ».


Irmã Clara Winger