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A Irmã Denise Pariseau, em missão na Comunidade de Montréal no Canadá, partilha connosco algumas pérolas do seu apostolado junto dos presos e      ex-presos.

O Senegal abriu-me ao mundo das prisões, os Camarões deram-me a ocasião de nele me implicar mais. Tendo saboreado a alegria de encontrar estas pessoas feridas, muitas vezes rejeitadas e sempre julgadas, eu tinha um grande desejo de continuar este apostolado no meu regresso ao Canadá. Depois de muitas diligências junto das autoridades penitenciárias, propõem-me um Centro de Acolhimento para ex-presos  e presos. Um domingo por mês, o que não é muito comum, participo numa Eucaristia

com partilha da Palavra de Deus   e da vivência dos presos, seguida de uma refeição fraterna. Todas as segundas feiras, a sala da paróquia torna-se um centro de fraternidade onde se reúnem ex-presos vindos de diferentes casas de transição e presos fora dos muros por algumas horas, acompanhados por um polícia. Um deles, na sua primeira saída, depois de trinta anos de detenção exclamou: «Ah, eu vejo janelas», ele inspira, expira, «ouf ! a mesa ! comemos juntos ? » Ele está perturbado pela felicidade e acrescenta: «Mas a culpa é minha, eu matei e impedi um homem de viver».

O presbitério de uma paróquia bem viva, está convertido em Casa de acolhimento, com oito quartos para os   ex-presos. O sacristão da igreja esteve quarenta anos na prisão e o homem que assume a limpeza e arranjo da   igreja é também um ex-bandido, como ele próprio diz. Sente-se orgulhoso por ser chefe neste lugar sagrado. Com os olhos a brilhar ele diz: «Aqui é a minha casa». Um dia, à mesa, o meu homónimo Denys diz-me: 

«Euvendo os jornais “L’itinérance”, nos metros, assim eu pago o meu aluguer. Todo o tempo eu falo ao bom Deus, eu não vou à igreja, mas falo com Ele a toda a hora. O bom Deus é bom, bom. É o tempo de Natal, eu pedi ao bom Deus para fazer três jogos de bowling e não tenho mais dinheiro. Ele disse-me (uma voz interior), vende os teus jornais! Falta-me vender 16. Fui para o metro e em duas horas as pessoas deram-me 100 dólares, e eu, eu rezava continuamente. Eu tive os meus três jogos de bowling. Se as pessoas soubessem como o bom Deus é bom, bom». E Denys continuava: «Eu já não vejo a minha família, não tenho o direito de me aproximar da minha cidade, por causa dos acontecimentos que me tinham conduzido à prisão. Mas, eu telefono aos meus irmãos, o bom Deus é bom para comigo». À mesa, durante a refeição, ele continua: «Eu já não como alimentos sólidos, só tenho dois dentes, um em cima e um em baixo». E eu digo-lhe: «Tu podes ter duas próteses, visto que agora os tratamentos dos dentes são gratuitos». Mas ele responde: «Eu já não tenho gengivas, estou

assim há muito tempo. Se as pessoas soubessem como o bom Deus é bom!» e noutra segunda feira, oiço por detrás de mim:  «A irmã com os bandidos ?!» Chocada, eu exclamo: «O que é que estais a dizer? Vós sois todos Filhos do Pai, como podes tu falar assim?» Ele diz então aos outros: «A Irmã disse, nós somos os Filhos do Pai», e deu meia volta. 

Cada encontro me impressiona, porque escuto as belezas e as angústias dos mais pobres. E como repetia muitas vezes o meu homónimo : « Se as pessoas soubessem como o bom Deus é bom ! »

Irmã Denise Pariseau