6º dia 

«Vai, deixa a tua terra…»

Deixar a nossa terra para responder ao apelo de Deus, pede sempre um despojamento, uma passagem da morte à vida, uma experiência do Mistério pascal. É o que nós vivemos quando deixamos a nossa terra natal para responder a uma obediência. De qualquer modo nós compreendemos o que quer dizer «ser estrangeira». Esta experiência vivida pelos migrantes.

O Papa Leão XIV evoca esta experiência da migração para permanecer atento ao acolhimento do estrangeiro: «A experiência da migração acompanha a história do Povo de Deus. Abraão parte sem saber para onde vai. Moisés guia o povo em peregrinação através do deserto. Maria e José fogem para o Egipto com a Criança. O próprio Cristo, que veio ao que era seu, e os seus não o receberam. Cristo viveu entre nós como um estrangeiro. É por isso que a Igreja sempre reconheceu nos migrantes uma presença viva do Senhor que, no dia do juízo, dirá àqueles que estiverem à sua direita: Eu era estrangeiro e vós me acolhestes»[1].

O Papa Francisco dizia: «Todo o ser humano é filho de Deus. A imagem de Cristo está impressa nele.  A Igreja, como uma mãe, caminha com aqueles que caminham. Lá, onde o mundo vê ameaças, ela vê filhos; lá, onde se constroem muros, ela constrói pontes. Ela sabe que o seu anúncio do Evangelho é credível somente quando se traduz em gestos de proximidade e acolhimento, e que em todo o migrante rejeitado, o próprio Cristo bate à porta da comunidade.

Oração para ser rezada em comum

Senhor, que o vosso espírito de força e de amor nos ajude a sair de nós mesmas para acolher o outro, diferente, estrangeiro, migrante, refugiado, aquele que vem de outras partes ou de longe, afim de caminharmos juntos como filhos bem-amados de um mesmo Pai.

 

[1] «Eu te amei», Dilexi te, Exortação apostólica sobre o amor para com os mais pobres, Pape Léon XIV, 2025, n°73.